"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor.Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda".
Paulo Freire
Organizando velhos cadernos do PEAD neste final de semana, encontrei este pensamento de Paulo Freire.Repensando nas atividades desenvolvidas durante a semana com meus alunos e das conversas que tivemos,penso que ele expressa, de certa forma, a angústia de um professor, ou qualquer ser humano, diante da banalização da violência que hoje vivemos, fruto também da falta de perspectivas e sonhos de uma geração.
Na semana passada conversamos sobre o Dia do Trabalho, aliás, tema que esteve presente a semana toda.
Durante o transcorrer das aulas, fui percebendo algumas coisas que me entristeceram.Uma delas foi constatar que os alunos não se orgulham da profissão que seus pais têm,não gostam de falar no assunto, pois percebem que seus pais não têm profissões, apenas um trabalho.Não se prepararam para exercer alguma função, estão fazendo o que "apareceu".Isso ficou ainda mais evidente durante nossos trabalhos, o que tentei fazer uso para uma reflexão.
Fiquei triste porque,geralmente, as crianças imitam seus pais em seu ambiente de trabalho e se espelham nele, o que não acontece no meio onde leciono.
A 2ª questão é o fato de pouquíssimas crianças expressarem a profissão que gostariam de seguir no futuro.Em anos anteriores,parece que os sonhos tornavam-se mais evidentes.
Enfim, houve a aula em que os alunos se permitiram falar, e eu fiquei como ouvinte!
Casos da família, parentes, vizinhos.Gente sem emprego, gente furtando, usando drogas, "solto" por aí!Algumas histórias bem CABELUDAS, como costuma-se dizer.
Gostei da confiança em mim depositada e os questionei se era essa vida que gostariam de levar quando crescessem.Todos foram unânimes em afirmar que não(e eu que pensei que não sonhassem!!).Comentamos da importância do trabalho, em qualquer grupo social, tanto para a sociedade como para o indivíduo, dos direitos e deveres que tenho como cidadão no exercício de uma profissão e do resgate da cidadania de cada pessoa, através do trabalho.Enfim, o trabalho, pelo que representa à sociedade e ao cidadão, é UMA das condições, ferramentas das quais esse mesmo cidadão se vale para dar sentido a sua vida, percebendo-se capaz de produzir, contribuir, aprender, crescer...Quem não o tem, falta-lhe algo...
Logicamente, essas não foram as palavras empregadas com os alunos, mas a intenção em repassar a mensagem, certamente, na esperança de que eu tenha contribuído na reflexão de meus alunos na quebra de um paradigma comum em comunidades carentes: de que não é possível sonhar com algo melhor do que se têm, ou ser algo melhor,modificando quadros e situações que vivenciamos em nossa sociedade.
"A escola, por si só, não muda a sociedade, mas essa mesma sociedade ainda precisa dela!"
Um comentário:
Clara querida,
Ótima postagem, vc traz uma reflexão não apenas sobre suas aprendizagens, mas englobando provocações referente a sociedade atua.
Concordo contigo quando coloca em sua postagem a fala de Freie sobre o paple da educação. Penso que a educação, ou melhor, nós professores não podemos ficar de braços cruzados frente as dificuldades que a sociedade oferece para nossos alunos.
Referente a questão do trabalho e da profissão, penso que trabalhar é uma consequência da profissão que queremos seguir e não a profissão que seguimos ser a consequência do trabalho, temos que proporcionar nossos alunos a auto-confiança em si mesmo, ampliarem seus horizontes e buscarem objetivos na vida, ou ter um foco em mente, saber o que querem ser e batalharem para ser.
Mesmo que as realidades sejam contrárias.
Parabéns.
Bjo
Postar um comentário