sexta-feira, 14 de novembro de 2008

SER PROFESSOR....

Sou professora concursada na rede municipal desde 1997,porém,já leciono desde 1984.Como já colocado anteriormente,São Leopoldo possui um Plano de Carreira que contempla hora/aula e hora/atividade.Penso que foi uma grande conquista termos um segundo professor para trabalhar com nossos alunos enquanto podemos utilizar este tempo no atendimento aos pais e planejamento de nossas atividades,pois o professor precisa ter tempo para isso!Porém,aspectos deste mesmo plano quanto aos valores atribuídos nas progressões(horizontal e vertical),considero vergonhosas.Apesar do básico municipal ser de R$800,00,a diferença entre os níveis(magistério,superior,pós-graduação)é muito baixa,portanto,não há incentivo pela busca de um maior conhecimento,sendo que,o professor que o faz,é porque não está visando a questão financeira e sim,a qualificação de seu trabalho.Isso também acontece na progressão horizontal(tempo de serviço).O professor que trabalha anos não recebe muito mais do que aquele que recém iniciou!Optei por trabalhar 20 horas por ter filho pequeno,mas,só consigo por ter marido em condições de arcar com as demais despesas!Já dizia Delfim Neto(lembram?)Ele falava que o problema das "professorinhas"não é que eram mal pagas,e sim,que eram mal casadas!Outra questão que acho vergonhosa é não termos um plano de saúde!O que existe é um convênio com a Associação dos Municipários e que é muito utilizada pelos professores,porém,isso não deveria excluir a responsabilidade do Poder Executivo para com a categoria.Aliás,esta questão é algo que o CEPROL(Sindicato dos Professores) está tentando conquistar a muito tempo,sem sucesso!Por que será?Penso que as pessoas envolvidas num sindicato devem ser a-partidárias,envolvendo-se realmente em lutar pelos direitos daqueles que representam e que o mesmo não deve servir como vitrine e trampolim para a conquista de cargos políticos.Minha escola é nova,foi totalmente reconstruída.Temos Auditório,Laboratório de Ciências(ainda não tem material para usá-lo),Informática(sem Internet),biblioteca,sala de vídeo,amplo refeitório,4 banheiros,sala dos professores e toda parte administrativa.No último OP(orçamento participativo)ganhamos a quadra poliesportiva.Penso que nestes últimos anos,o repasse de verbas para a estrutura das escolas e material tem melhorado,pois a fiscalização e cobrança pos parte da sociedade são maiores,apesar de que há muito caminho para trilhar.Ter voltado a estudar é ótimo,o conhecimento transforma o indivíduo,tornando-o melhor,sempre digo isso aos meus alunos.Lembro de muitas coisas que discuti,em outros anos,na faculdade,autores,e vejo que a teoria é tão necessária quanto a prática.Adoro dar aula e é por isso que já passei mais de 20 anos lecionando.Mas,sinto-me impotente perante tantos problemas que surgiram e que antes não eram tão evidentes:drogas,abuso sexual,desrespeito,vandalismo,alcoolismo..Como lidar com esta realidade ninguém ensina,não sei se aprendemos!Cada vez mais cresce o número de professores estressados,fazendo acompanhamento psicológico para enfrentar as inúmeras cobranças e os enormes problemas trazidos para as escolas acentuados pela falta de comprometimento e de uma família ausente.

2 comentários:

Fabiane Penteado disse...

Oi Clara,

É possível sentir o quanto gostas de tua profissão. Sabes que penso assim como você. Embora não tenha tantos anos assim de docência ... também partilho com as mesmas duvidas e ansiedades... (vivências talvez?)
Sabemos que hoje em dia o conceito família, ou base familiar é algo raro... Tornou-se artefato de luxo, pois a maioria dos alunos enfrenta algum tipo de "dificuldade ou problema" em seu meio familiar. O que acarretou em aumento de responsabilidades por parte da escola. Acabamos ganhando (de quebra) funções as quais não nos pertencem, mas sim aos pais e/ou responsáveis.
Ser professor não é tão fácil quanto era antigamente (ouço muito isso das minhas colegas e não consigo imaginar como era esta outra realidade, me esforço, mas não consigo).
De qualquer forma, sei que nos dias atuais, existem uma serie de fatores que influenciam no aprendizado. Mesmo uma criança saudável, as vezes acaba desenvolvendo algum tipo de síndrome (panico, depressão, anorexia, entre outras) quando não tem base familiar e este tipo de situação normalmente chega até nós. Em muitos casos a descoberta se dá na escola. Se estamos preparadas? Certamente não. Ninguém faz cursinho de equilíbrio (físico e mental) para ter estrutura para enfrentar as situações do dia a dia....
Devemos nos melhorar como pessoas, estudar para ampliar nossos horizontes, buscar formas de crescimento... seja ele profissional ou não... Fazer aquilo que esta ao nosso alcance, voltar pra casa e saber que fizemos exatamente aquilo que poderíamos ter feito....
Esperar que dias melhores venham... afinal não há mal que sempre dure....

Abraços,
Fabi

Catia Zílio disse...

Olá Clara!
Teu texto me fez recordar um importante pensador da Educação Brasileira chamado Paschoal Lemme. Uma frase dele que me marcou muito foi: “Se não for professor, não serei mais nada!” - em resposta ao questionamento do pai sobre o que deseja fazer.
Sugiro a leitura da entrevista disponível em:
http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/txt.php?id=41
Veja as questões que ele aponta sobre a formação dos professores na atualidade:
"A carreira de professor primário tinha um conceito bastante elevado, especialmente à época da reforma do Instituto de Educação, na administração do Anísio Teixeira. Hoje, a carreira não tem mais o mesmo conceito. É verdade que isso decorre de vários fatores, entre eles o grande aumento da população, um fator a que muita gente não presta atenção. A crise econômica do país também influi diretamente. O tipo de moça que hoje procura o Instituto de Educação (e não vai nisso nenhum desapreço à pessoas) é de nível econômico e de meios culturais muito mais baixos, porque os salários são muito baixos. Há uma crise geral que abastardou a profissão e que se traduz concretamente nos salários. Como é que uma professora pode continuar sua formação, o seu desenvolvimento, fazer curso, se ela mal pode sobreviver do ponto de vista da própria alimentação?"