Ao trabalhar com o texto de Tardif em um dos trabalhos da disciplina de ESC,o que mais chamou-me a atenção foram as chamadas "tecnologias de interação" colocadas pelo autor:coersão,autoridade,persuasão e o quanto elas estão presentes em nosso dia-a-dia sem nos darmos conta.
Enquanto lia o texto,vinha a lembrança de um determinado fato ocorrido na escola.
Trabalho numa escola de periferia onde a violência,o desrespeito,a falta de valores,o consumo de drogas aumenta cada vez mais.
Sou professora a 23 anos mas nunca,como agora,estive tão cansada e sem perspectivas,pois sinto que meu trabalho e minhas ações" perdem-se" ao vento quando as crianças saem do portão para fora,o mundo de muitos deles não tem nada a ver com a escola,muitos nem sabem porque estão nela e o que esperam para suas vidas.Sinto que também sentem-se perdidos,em rumo,sem destino.
Em tempos assim,nunca usei tanto de minha autoridade,e isso não me faz bem!Quando converso com a supervisão e/ou direção da escola,elas colocam o mesmo,usam diferentes "tecnologias"sem dizer realmente qual seria a mais viável e quando precisam ser enérgicas demais também sentem-se muito mal.
Este "mal-estar"aumenta ainda mais quando pretendemos construir uma escola mais democrática,envolvendo não só os professores que nela trabalham como também toda a comunidade escolar,com nossos alunos e pais que,na grande maioria são omissos e não participam da vida escolar dos filhos.
Em relação aos professores,penso estarmos caminhando para a concretização deste processo,porém,é difícil envolver a todos,como deveria ser,pois família,escola e sociedade atuam isoladamente,numa relação conflituosa e o grande desafio que se coloca é conseguir uma maior harmonia entre essas partes.
Muitos colocam que o conflito faz parte da democracia e que para que ela aconteça,é necessário o conflito existir,portanto,é difícil,cansativo e,sobretudo depende da consciência de cada um.Consciência que tentamos formar em nossos alunos,seus pais,nós mesmas!
Escuto que não é posível haver democracia num governo autoritário!Conseguiremos formar uma escola democrática envolvendo nossos alunos nesse processo quando,em muitas situações,para resolver tantos conflitos,usamos,e muito,nossa autoridade?
Envolvemos os alunos em várias atividades e situações onde eles percebam que a escola e seus professores preocupam-se em dar-lhes algo mais,porém,sempre há aqueles que possuem uma resistência muito grande em aceitar e,muitas vezes,conseguem nos tirar a motivação!Mas,não desistimos,pois sempre conseguimos enxergar uma luz no fim do túnel!"
2 comentários:
Oi Clara!
De fato a vida real tal qual como é, por muitas vezes nos assusta. E esta tua realidade, não é algo assim tão distante, talvez o seja apenas para alguns.
Fala-se muito em politicas publicas e democracia, mas é preciso entender e aprender a usar estes conceitos. Procurar este entendimento é muito complicado e as vezes difícil o acesso. E é mais fácil deixar as coisas como elas estão. Gostei muito quando você mencionou que: O importante é não desistir jamais, por mais cansativo e desestimulador que nos pareça.
Se cada um fizer o minimo que nos cabe, certamente teremos resultados positivos, em nosso favor, em favor daqueles que pouco podem fazer por si próprio...
O importante é fazer a diferença nem que seja para uns poucos... como em teu caso na escola....
É fazer a nossa parte...
Um abração,
Fabi
Clara muito boa tua reflexão, integrando teoria e prática! É na interação com o outro, com o colega, com profissionais de diferentes áreas, que aprendemos, que descobrimos, que crescemos. O professor tem um papel fundamental na educação e por isso ele precisa interagir, estar preparado e atualizado para trabalhar com seus alunos e não desistir. Na interdisciplina foi proposto justamente isso que fizeste, que cada um pensasse sobre o que significa o trabalho docente. Trabalho docente é diferente de outros trabalhos? Essas são questões que ficam para refletires ao longo dos anos de prática docente! Um abraço, Simone - Tutora sede ECS
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