Em nossa interdisciplina de Questões Étnico-Raciais fomos desafiadas a realizar um mosaico com nossos alunos.A primeira vista,para mim, pareceu ser uma atividade"sem graça",sem ter muito significado,nem estava muito animada para fazê-lo,porém,quando terminei,fiquei impressionada com o que constatei e que irei relatar.
Escolhi um aluno para desenhar o contorno de seu corpo em papel pardo.Escolhi este desenho pois representava o ser humano,um indivíduo do qual iríamos falar.
Entreguei revistas para as crianças pedindo que eles recortassem gravuras que lembrassem pessoas de sua família:pais,avós,crianças,bebês.Cada gravura recortada deveria lembrar o parente em algum aspecto:cor dos olhos,cabelo,estatura,feições parecidas,peso etc.
Percebi que num primeiro momento,as crianças escolhem por pessoas de belas feições,principalmente se tiver atrizes ou atores.Enquanto recortavam,eu ia passando nas mesas e os questionando sobre suas escolhas.
Tenho 3 alunos que não considero negros mas têm a pele mais escura que os demais colegas.Esses alunos estavam recortando gravuras de pessoas com a pele clara.Ao serem questionados,responderam que havia na família pessoas assim,de tez clara,ou seja,estavam negando sua etnia e não se aceitavam.
Este fato chamou-me muita a atenção!Este trabalho abre um leque para que se realize uma conscientização por parte destas crianças bem como de sua aceitação e melhoria de sua auto-estima.
O contrário se deu com outro aluno na sala de tez clara.Ele recortou gravuras de pessoas de tez morena e ao ser questionado por mim respondeu que havia pessoas assim na sua família porque sua avó materna era “escura” também.
Percebi que ele não se constrangeu em recortar e falar de pessoas mais morenas em sua família enquanto os 3 alunos de tez escura não quiseram colar gravuras de pessoas negras.
Mas,voltando ao mosaico,na “barriga”do desenho,colocamos fotos de mulheres grávidas que estão representadas por Angélica e Daniele Winits pelo fato de haver mulheres nas famílias esperando bebê e,em volta delas,muitos bebês e crianças representando os pequenos na família dos alunos.
Fizemos votação para ver qual foto colocaríamos na cabeça e,mesmo eu insistindo,a turma escolheu o rapaz de belas feições.Não quiseram colocar a menina que está ao lado e nem tampouco o senhor de boné(pai da Camila Pitanga)que está logo abaixo.Quando perguntei o porque de tal escolha,disseram-me que ele era mais bonito.Outro fato que me deixou em alerta.
Aparecem as gravuras do gordo e do magro representando o peso das pessoas e,no restante do cartaz,várias pessoas representando as famílias:muita gente jovem e de pele clara.
Quando o cartaz foi concluído,perguntei porque havia tão poucas pessoas negras ou de pele mais morena.As crianças disseram que pessoas assim são mais difíceis de encontrar nas revistas,o que mais aparece são jovens bonitos,que parecem felizes e com saúde.
Um aluno meu recortou a gravura do Pelé que está no braço do desenho,logo abaixo da menina negra,ao lado do bebê risonho.
Quando perguntei se alguém havia recortado uma gravura de algum negro importante,um outro aluno mencionou o nome de Pelé,ou seja,se eu não houvesse perguntado isso ,a figura de Pelé nem iria ser colada,ao passo de que o mesmo deveria servir como um referencial para os negros.
Perguntei a este aluno se ele conhecia Pelé.Ele afirmou que sim e este dado também me serviu de alerta.Mesmo conhecendo os feitos do jogador,não era suficiente para se identificar com ele?
Enfim,percebi que há muito a trabalhar nesta turma quanto a discriminação racial,o preconceito e a aceitação de sua cor.Em vista disso,no enfoque V realizarei uma atividade contemplando esta situação,momento em que voltaremos a este cartaz e continuaremos nossas discussões.Ele ficou na sala e poderá ser útil a qualquer momento em que uma questão racial vier à tona.
Em volta do desenho,colocamos gravuras de alimentos pois na semana da alimentação vimos o quanto eles são necessários para um crescimento sadio em todos os sentidos.Fiquei contente ao constatar que eles recortaram frutas,sucos,pães,feijoada,carnes,peixes,enfim,contemplando todos os alimentos da cadeia alimentar,sinal de que este assunto foi bem entendido.
Meu desafio será o de que eles compreendam o outro assunto que motivou a realização do mosaico:o preconceito racial!
Entreguei revistas para as crianças pedindo que eles recortassem gravuras que lembrassem pessoas de sua família:pais,avós,crianças,bebês.Cada gravura recortada deveria lembrar o parente em algum aspecto:cor dos olhos,cabelo,estatura,feições parecidas,peso etc.
Percebi que num primeiro momento,as crianças escolhem por pessoas de belas feições,principalmente se tiver atrizes ou atores.Enquanto recortavam,eu ia passando nas mesas e os questionando sobre suas escolhas.
Tenho 3 alunos que não considero negros mas têm a pele mais escura que os demais colegas.Esses alunos estavam recortando gravuras de pessoas com a pele clara.Ao serem questionados,responderam que havia na família pessoas assim,de tez clara,ou seja,estavam negando sua etnia e não se aceitavam.
Este fato chamou-me muita a atenção!Este trabalho abre um leque para que se realize uma conscientização por parte destas crianças bem como de sua aceitação e melhoria de sua auto-estima.
O contrário se deu com outro aluno na sala de tez clara.Ele recortou gravuras de pessoas de tez morena e ao ser questionado por mim respondeu que havia pessoas assim na sua família porque sua avó materna era “escura” também.
Percebi que ele não se constrangeu em recortar e falar de pessoas mais morenas em sua família enquanto os 3 alunos de tez escura não quiseram colar gravuras de pessoas negras.
Mas,voltando ao mosaico,na “barriga”do desenho,colocamos fotos de mulheres grávidas que estão representadas por Angélica e Daniele Winits pelo fato de haver mulheres nas famílias esperando bebê e,em volta delas,muitos bebês e crianças representando os pequenos na família dos alunos.
Fizemos votação para ver qual foto colocaríamos na cabeça e,mesmo eu insistindo,a turma escolheu o rapaz de belas feições.Não quiseram colocar a menina que está ao lado e nem tampouco o senhor de boné(pai da Camila Pitanga)que está logo abaixo.Quando perguntei o porque de tal escolha,disseram-me que ele era mais bonito.Outro fato que me deixou em alerta.
Aparecem as gravuras do gordo e do magro representando o peso das pessoas e,no restante do cartaz,várias pessoas representando as famílias:muita gente jovem e de pele clara.
Quando o cartaz foi concluído,perguntei porque havia tão poucas pessoas negras ou de pele mais morena.As crianças disseram que pessoas assim são mais difíceis de encontrar nas revistas,o que mais aparece são jovens bonitos,que parecem felizes e com saúde.
Um aluno meu recortou a gravura do Pelé que está no braço do desenho,logo abaixo da menina negra,ao lado do bebê risonho.
Quando perguntei se alguém havia recortado uma gravura de algum negro importante,um outro aluno mencionou o nome de Pelé,ou seja,se eu não houvesse perguntado isso ,a figura de Pelé nem iria ser colada,ao passo de que o mesmo deveria servir como um referencial para os negros.
Perguntei a este aluno se ele conhecia Pelé.Ele afirmou que sim e este dado também me serviu de alerta.Mesmo conhecendo os feitos do jogador,não era suficiente para se identificar com ele?
Enfim,percebi que há muito a trabalhar nesta turma quanto a discriminação racial,o preconceito e a aceitação de sua cor.Em vista disso,no enfoque V realizarei uma atividade contemplando esta situação,momento em que voltaremos a este cartaz e continuaremos nossas discussões.Ele ficou na sala e poderá ser útil a qualquer momento em que uma questão racial vier à tona.
Em volta do desenho,colocamos gravuras de alimentos pois na semana da alimentação vimos o quanto eles são necessários para um crescimento sadio em todos os sentidos.Fiquei contente ao constatar que eles recortaram frutas,sucos,pães,feijoada,carnes,peixes,enfim,contemplando todos os alimentos da cadeia alimentar,sinal de que este assunto foi bem entendido.
Meu desafio será o de que eles compreendam o outro assunto que motivou a realização do mosaico:o preconceito racial!
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